TURIM: MILHARES DE ANARQUISTAS CONTRA O TAV
Dezenas de milhares de pessoas se reuniram ontem, 17 de dezembro, em Turim para dizer NÃO ao TAV, não às grandes obras, não à devastação ambiental.Mas não só.
Homens e mulheres do Vale de Susa, de Turim e de todas as partes da Itália, se manifestaram contra o pod er voraz e arrogante que quer impor à razão do rendimento e da força sob a vida, a liberdade e a dignidade de todos.
Mas não só.
O povo NÃO TAV disse em voz alta que sua vida, sua liberdade e dignidade não se negociam. Disse em letras claras que nem os bastões de Pisanu, nem as cenouras de Letta poderão impedir a marcha do Vale de Susa.
Mas não só.
A quem tentou impedir a marcha de ontem após a abertura da mesa de negociações/estafa do governo. Milhares e milhares dos habitantes do Vale de Susa gritaram que a única mesa de negociações é a praça.
Não se negocia com quem golpeia, aterroriza, ocupa militarmente sua terra e sua vida.
Não se negocia com quem nega o futuro a seus filhos.
Mas não só.
A quem desejava que a marcha de ontem fosse o teatro de choque e violência, a resposta foi que o único terrorista é o Estado, o único predador é o TAV, que quer a direita e a esquerda unidas pelos interesses comuns para distribuir o bolo. Um bolo que subtrai recursos da saúde, da educação, dos meios de transporte locais.
Hoje a luta dos habitantes do Vale de Susa é nossa luta.
Mas não só.
A marcha de ontem demonstrou que o movimento contra a depredação do território e a devastação do ambiente é um movimento que atravessa a península e cruza os Alpes, convocando pessoas de Maurienne, junto com aquelas da Sicília e da Calábr ia que se opõe à construção da ponte no estreito.
Milhares de anarquistas responderam de toda Itália e da França à chamada de uma ação libertária em comum por uma luta incondicional contra o trem da morte.
Durante dias e dias os meios de comunicação indicaram que nossa presença seria violenta, que nós iríamos causar distúrbios. Por essa razão, nossa presença na marcha foi cancelada. Os anarquistas não queriam cumprir o papel atribuído por esses mesmos meios no te atrinho da desinformação midiática.
Como sempre sem a possibilidade de arrependimento. Como sempre não dispostos a entrar no jogo da mídia, nem da política institucional. Como sempre não dispostos a fazer, como alguns antagonistas new global, os homens na praça e os do governo.
Há alguns que negam a evidência: nós estávamos lá. Ontem em Turim se manifestaram duas almas de um mesmo movimento, duas alm as que tinham se encontrado fisicamente, mas não fundidos certamente. Por um lado Kermés em Pellerina que quis Ferrentino & C na oposição e na negação da marcha do dia 17, na parte do outro movimento, que está disposto a desmerecer a luta sentando à mesa romana.
A pergunta é simples: o TAV se faz, ou o TAV não se faz.
Nós, como dezenas de milhares de valsusinos que fizeram greves, obstruíram as vias da estrada de ferro, as ruas e as estradas durante muitos dias, sabemos que só a luta popular, em primeira pessoa sem mediações poderá impedir o TAV. Como o 8 de dezembro, após a violência da polícia, quando 50.000 homens, mulheres, crianças, anciões reconquistaram os terrenos com a força das forças da desordem estatal, estamos orgulhosos de ter estado ali, porque a luta dos habitantes do Vale de Susa confirma o que nós pensamos e praticamos desde sempre: deter aos poderosos, ação direta.
Éramos muitos ontem em Turim porque também nós como os vizinhos do Vale de Susa decidimos nos reunir em praça pública apesar dos politiqueiros -inclusive locais - que pretendiam que ficássemos em casa para permitir o jogo da política do palácio e assim decidir em nosso nome.
Ontem, estivemos na praça como sempre estivemos nestes anos, quando a luta do Vale de Susa não era refletida nos jornais e os anarquistas eram nomeados unicamente como criminosos. Dois de nós não estiveram na marcha de sábado, porque morreram na cadeia, após um processo sumário, e uma sentença sem apelação que infligiram a mídia. Mas seus nomes ressoaram seguido nos slogans de muitos e na memória de todos.
Ontem estivemos na praça, convencidos de que a luta dos habitantes do Vale de Susa é nossa luta, uma luta contra o trem da morte, contra os terroristas do Estado que reprimem e criminalizam a quem se opõem a seus negócios e a seu poder.
Ontem a história daqueles que querem retomar em suas próprias mãos seu próprio destino, sem delegados nem tutelas, deu um passo adiante.
Amanhã nos esperam novos desafios: primeiramente, o mais importante, consistirá em evitar que o que seja conquistado no caminho de Venaus seja apagado por uma trégua olímpica - e eleitoral - que serviria somente aos senhores do TAV para preparar, sem ser incomodados, os canteiros para fazer as escavações.
O caminho que nos espera é longo, mas os moradores da montanha do Vale de Susa demonstraram a todos que no sendero o suficientemente inacessível que impede a passagem aos partisanos de hoje como aqueles de ontem, não há nenhum jogo institucional que não possa ser desbaratado por quem aprendeu a decidir sem mediações, sem pais nem padrinhos.
Sarà Dura!
Os companheiros e companheiras da Federação Anarquista de Turim – FAI (fat@inrete.it)
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